Dicas da Ju | Sexualidade Feminina é ou não tabu?

Rita Lee não poderia ter sido mais feliz, polêmica e poética do que ao escrever Amor e Sexo.

 A música que, na época, foi tema de novela e estava na boca até da criançada, – valha-me Deus, eu devia ter uns nove anos e me chocava com minhas amigas cantando abertamente sobre sexualidade! – seria, anos depois, a trilha sonora do debate do século. Certo, talvez não do século, mas, ao menos, da minha semana.

Desculpem-me os puritanos, mas se é para falar de relacionamento, temos sim que falar de sexo e, se é para falar de sexo, será mesmo que precisamos falar de amor? “Amor sem sexo é amizade, sexo sem amor é vontade”. Entendi, Rita, juro que entendi.

Mas o que leva essa colunista do Satisfashion Brazil a falar sobre o tema foi o embate caloroso que tive nos últimos dias. Será mesmo que sexualidade e relacionamentos estão entrelaçados? A pessoa com quem argumentei defendia com unhas e dentes que as experiências sexuais de uma mulher deveriam ser dentro de uma relação afetiva enquanto eu, longe de ser feminista (e isso não é uma ironia!), me perguntava: por quê? Viemos de uma cultura onde a mulher, sempre subjugada, não pode optar por algo carnal e físico; onde o sentimento deve ser priorizado e se não houver uma série de corações saindo das nossas cabeças como em um estúpido desenho animado, não podemos nos envolver.

Em contrapartida, os homens são ensinados desde criança que sexo é natural, espontâneo e sem compromisso. Por que? Lembrando do maravilhoso livro Escorted, da autora Claire Clark, o citei como um argumento para mulheres decididas que, sim, querem apenas a química do momento, ao invés de todas as flores e chocolates que a Disney ensina – e não se esqueça do cavalo branco!

Para quem não conhece, a protagonista da história contrata um garoto de programa para perder a virgindade. Mais século XXI que isso, só se o próprio Christian Grey fosse real! Isso é liberdade, é ser dona de si, é ter... escolha. A pessoa em questão (e era uma mulher) bateu o pé alegando que isso era insanidade. Mas... Espera, não  é essa mesma sociedade que há anos faz com que alguns de seus rapazotes percam a virgindade com prostitutas? O que torna isso diferente? O fato de ser uma mulher comprando um serviço? Pasmem, mas, sim!

Ah, Rita, sempre tão inteligente! Ao dizer que sexo é pagão, ela ilustra essa visão deturpada de que o encontro de corpos é pecaminoso, dá luz ao tabu e nos faz pensar nas inúmeras culturas onde a mulher perde o direito de escolher como e o que fazer, onde se enquadrar em uma norma – seja ela qual for – é viável e onde um relacionamento é o que te define.

Não, não é! Não precisamos ser como Anastasia Steele, que deu o primeiro beijo aos vinte e três anos de idade em Cinquenta Tons de Cinza, não precisamos ser como Eva Tramel que experimentou a sexualidade ainda criança em Toda Sua e não precisamos ser como a personagem de Claire Clark. Precisamos ser apenas mulheres, livres dos preconceitos, abertas para escolher quem entra em seus corpos – e, quem sabe, depois disso, em seus corações -, disponíveis para si mesmas e vacinadas contra qualquer pré-julgamento.

Não há uma receita de bolo para o amor, para o sexo, para a amizade colorida ou até para a preta e branca. Se “amor é amor e um lance é um lance”, que sejamos livres para escolher em qual se enquadrar e que esse enquadre seja satisfatório para a única pessoa que importa: você mesma.

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Sobre o autor

Juliana Costa

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