"Mas e você ainda não casou?"

Já pararam parar perceber o quanto, a cada momento de nossas vidas, há uma cobrança? Para nós, mulheres, isso é ainda maior. Quando somos crianças, nos é cobrado que sejamos as alunas exemplares, as primeiros da classe ou pelo menos que não sejamos as piores. Quando a infância começa a ir embora, a primeira cobrança (muito sutil!) aparece na pergunta simples e INDELICADA: "Ela já ficou mocinha?". Provavelmente essa inquisição foi feita pela sua tia distante, a avó ou a amiga enxerida da sua mãe. Mocinha? Que eu saiba - e a biologia também! - somos moças, meninas, garotas ou qualquer outro sinônimo desta palavra desde o momento em que a ultrassonografia identificou que temos uma vagina. Prático, não? Não. Na nossa sociedade, para ser considerada uma moça, é preciso, vergonhosamente, que as pessoas saibam se você é capaz de expelir sangue como em uma cena de CSI. Nojento, não é? É sim! E ainda há quem massacre as crianças com isso. O que não sabem é que, inconscientemente, elas já estão entendendo a primeira pressão e se comparando com as garotas ao redor que - gloriosamente! - são mocinhas. Oh! Como se não fosse o bastante, as perguntas intrujantes não param por aí. Com a adolescência vem a trágica frase dos almoços em família: "Fulana, e os namoradinhos, hein?". A vontade, sejamos sinceras, é de responder: "E seu marido que te trai? E sua filha piranha? E seu filho vagabundo, hein?", mas sorrimos educadamente e damos a resposta mais gentil possível. Isso é, quando a resposta não é: "Tia, não é namoradinho, é namoradinha" - e eu adoraria ver a cara dessa tia, juro! Só que, mais uma vez, esta adolescente que é pré julgada como a solteira da família vai sentir-se para baixo, desmotivada, humilhada e com a auto estima baixa. Afinal, por que sempre é ela a passar vergonha quando uma situação assim aparece?Mas quando, aleluia, a criatura desencalha, eis que vem a pergunta: "Quando fica noiva?". E se você finalmente oficializa o noivado, vem a próxima: "Quando casa?". E, minha filha, ai de você se for solteira nos seus vinte e poucos - ou vinte e muitos - e não tiver nem mesmo um pretendente para simplesmente te esperar na beira do altar e passar por esse ritual contigo. A sociedade falta te excomungar! O que ninguém entende ou finge não entender, é que tudo se trata apenas de um rito. Andar de branco por um corredor, ver as pessoas capturando sua imagem sem autorização para postar no Facebook, encher a barriga alheia de salgadinhos (e como diria minha vó, esperar que saiam falando mal da festa), viajar para um lugar baratinho porque a lua de mel em Paris não vai ser dessa vez - quem sabe no próximo casamento - e torcer para que tudo dê certo. Mas ainda assim, vai ter um inconveniente (e por que será que sempre são mulheres que fazem isso?) para te perguntar o por quê diabos você ainda não casou. "Não casei porque não quero, não casei porque estou ocupada com a minha carreira, não casei porque não quero passar a vida cozinhando e limpando para um preguiçoso, não casei porque... Não". Dá vontade de responder, não é? Eu sei que dá.Mas, se serve de consolo, as perguntas nunca vão acabar. Isso independe de ti! Se você casar, vão perguntar quando vem os filhos. Depois disso, qual o sexo do bebê e anos mais tarde quando virão os netos. A verdade é que todo mundo quer meter o bedelho na vida alheia, dar palpites e conselhos, ou apenas matar a curiosidade. Sabe o que é? Muita gente é infeliz sozinha e precisa acompanhar a vida de outra pessoa - não é a toa que as novelas fazem tanto sucesso por aqui! Aquela história do "se eu estivesse no seu lugar" nada mais é do que a vontade de realmente estar. Só que você, cara leitora, não precisa disso. Você não precisa alimentar esse tipo de comportamento e muito menos se sentir mal com isso - ou diminuída.Você ainda não casou? Que bacana! Seja jovem ou não, seja ligada a carreira ou não, seja como você for, há um motivo para isso e qualquer que seja este, saiba que não cabe a ninguém discuti-lo ou inqueri-lo. A pressão sempre vai existir e não se engane achando que somos as únicas sofredoras da pátria. Os homens também passam por isso. "E aí, ja comeu?" "Quando vai arrumar um emprego decente?" "Não acredito que você está casado há tantos anos e não traiu sua mulher. Não quer trair?". Pobres de nós, mortais, que somos alvos dos comentários alheios. Pobres de nós que não sabemos responder. Aos vinte, lembro claramente de ter sido questionada se eu tinha um namorado na época. Disse que não e a pergunta seguinte foi: "Mas ao menos você já tem carteira de motorista, não é?". Neguei veementemente e respondi: "Não preciso de um homem ou de um carro para ser feliz". As perguntas pararam - ao menos daquela pessoa - e minha alma foi renovada, limpa, purificada. Veja, não alimento aqui a falta de educação, mas sim a reação à essa gente fofoqueira que só quer ter uma notícia para passar a diante. Não permitam que um bando de gente te julgue por casar ou não casar, que te façam sentir inferior ou te pressionem à tomar decisões erradas. Lembrem-se: escolher por pressa é como entrar no mercado com fome, você escolhe a primeira coisa que vem pela frente e depois se arrepende.Agora desvire seu Santo Antônio! O casamento pode esperar, mas o amor próprio nunca. 

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Sobre o autor

Juliana Costa
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