Como Minha Vida Virtual Se Tornou Minha Vida Social

Como um jogo uma vida virtual pode afetar sua vida social?

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Meu personagem quando ganhei o trophy por derrotar o último chefe da nova raid "King's Fall" no modo Hard.

2015 foi um ano de muitas transformações para mim: me casei, começei meu primeiro curta de animação 3D e explorei ramos do meu trabalho que nunca esperava que fosse gostar tanto de fazer. Entre tantas experiências diferentes, tinha uma que nunca poderia esperar.

 

Em Setembro de 2014, possuído pelo hype da “E3” – evento de tecnologia e vídeo games que acontece em LA –, esperava terminar de baixar o download do primeiro jogo que eu tinha feito pre-order, “Destiny”. Esse jogo prometia ter uma galáxia enorme, um personagem que sempre evolui com você e planetas gigantescos para explorar, isso sem contar o elenco absurdo do jogo, que incluía vários atores famosos, prometendo uma história épica (dos criadores do "Halo" que sempre teve como destaque a história). Desde os 16 bit, eu praticamente só jogava jogos pela história, é claro que sempre curti outros gêneros, como corrida, mas no geral eu via os games apenas como “filmes interativos”. Nesse quesito, a história do “Destiny” (sem contar as futuras expansões), decepcionou bastante. Com uma frustração sem fim e preso no Level 24,  acabei deixando o jogo de lado por alguns meses.

 

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Meu personagem olhando para a última cidade da Terra na Tower, conhecida por ser um dos Hubs do jogo.

 

Voltei em Fevereiro em pleno Carnaval no Brasil, para jogar um evento que acontece todo mês chamado “Iron Banner”, onde os jogadores competem em PVP (Player Versus Player), para subir de Ranking e conseguir comprar armaduras e armas potentes. Competir no Iron Banner me fez subir para o Level 30. Com esse Level eu poderia participar de conteúdos “end game” (conteúdos para personagens com Level alto). Foi mais ou menos nessa época que conheci o The 100, site onde você pode conhecer pessoas e marcar jogos para poder participar dessa parte “end game do jogo”. Esse site mudou completamente minha rotina e minhas escolhas em relação ao que fazer durante meu tempo livre.

 

Em relativamente pouco tempo eu já tinha mais de 100 amigos na PSN, conhecia pessoas da Índia, Canada, EUA, Austrália, Inglaterra, México, entre outros. Conheci pessoas maravilhosas, e algumas acabaram se tornando verdadeiros amigos, com o jogo sendo apenas a nossa “desculpa” pra bater um papo enquanto atiramos em aliens virtuais.

 

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Minha tela de Trophies do jogo, que foi o único que platinei

 

Com o tempo acabei mergulhando de cabeça no mundo desse jogo, escutando podcasts, assistindo vídeos e me tornando um membro ativo da comunidade que o cerca. Entrei em um clã do qual virei um dos membros mais ativos (temos até um app pro iPhone que usamos pra conversar o tempo todo, como se fosse um grupo do WhatsApp) e toda noite que estou em casa sozinho, pode apostar que serão grandes as chances de eu estar jogando esse jogo. 

As pessoas que conheci através dessa maravilhosa comunidade me fizeram enxergar o ato de jogar videogame como um experiência social, me fazendo até fugir de socializações de amigos da vida “real” só pra ficar jogando com a mesma galera de sempre. Muitas pessoas, assim como eu mesmo antigamente, podem dizer que isso é uma atitude antissocial, mas acredito que essa seria uma maneira antiquada de ver as coisas, tendo em vista que nesse quesito o videogame está sendo utilizado como uma fermenta de socialização, principalmente em momentos como nossa “Drunk Raid Race”, uma corrida contra o outro time para ver quem termina mais rápido cada Raid do jogo, bebendo toda vez que você morre, algo que sempre resulta em noites hilárias e divertidas.

 

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Foto atual do meu personagem principal (com light level 317, o limite atual é 320),

Nesse dia 31 de Dezembro, cheguei a 800 horas totais de tempo jogado (desde Setembro de 2014) e tenho certeza que vou voltar para mais 800, 1000, 2000 e por ai vai. Fica aqui registrada a minha experiência com um jogo que nunca imaginei que gostaria tanto de jogar, muito menos de me socializar e encontrar nele tantos amigos e centenas de horas de diversão. 

E você? Concorda comigo? Discorda? Tem algum parente que foi hospitalizado de tanto jogar LOL? Não se esqueça de estender a discussão nos comentários!

Até semana que vem!

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Sobre o autor

Yuri Vieitas

Yuri Vieitas, carioca, graduado em Cinema pela Universidade Estácio de Sá. Seu primeiro curta-metragem, chamado Solivagus, foi selecionado para representar o Brasil no Short Film Corner no Festival de Cannes de 2011. Além de ter desenvolvido trabalhos para empresas como Coca-Cola. Yuri é Editor de Games (Yuri_Vieitas na PSN, Live e Nintendo Id) e crítico de cinema no Satisfashion Brazil. 

 

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