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Dois homens, um nascido em 1893 e outro nascido em 1928, um era americano e o outro japonês, e mesmo com as distâncias temporais e físicas, ambos iriam se unir na história da cultura pop japonesa e, por consequência do mundo.

Amanhã, dia 18/09, começa mais uma edição do Rock In Rio, que neste ano completa 30 anos desde sua criação, e essa é uma história não somente de grandes shows, mas também de apresentações polêmicas, marcantes e históricas que vamos explorar nessa semana no B-Side.

Você já leu as partes I e II e agora vai conhecer o desfecho da nossa trama sobre "O Cinema Brasileiro que você (provavelmente) não conhece".

Na primeira parte discutimos como as chanchadas fizeram do cinema brasileiro um cinema de praticamente “um gênero só” com seus filmes de paródia dos grandes sucessos dos EUA.

Esse sucesso conseguiu perdurar até o Golpe Militar de 1964, quando a produção brasileira ficou cada vez mais extinta, devido a censura dos militares a qualquer tipo de manifestação cultural que pudesse de qualquer forma prejudicar o governo vigente, ou questionar as ideias do mesmo. 

Os anos da Ditadura Militar trouxeram muita morte e repressão para o povo brasileiro, mas para o cinema nacional trouxeram uma das mais fartas eras de produção no cinema brasileiro que se divide praticamente em 2 segmentos:

Um típico filme da pornochanchada no cinema

A Boca do Lixo, onde eram produzidos filmes dos mais diversos gêneros e onde a chanchada teve sua continuação com as pornochanchadas e de outro lado o movimento Cinema Novo, que contem alguns dos melhores e principais filmes nacionais que são estudados até hoje em universidades de cinema por todo o mundo. 

 

A Crise do Cinema

Muito parecido com o que acontece hoje graças aos serviços de Video On Demand  e a pirataria, e também com o que aconteceu de forma menos severa no final dos anos 80 para os anos 90 quando o mercado de Home Video começou a decolar de vez, nos anos 60 e 70 o cinema ficou em crise, não só no Brasil como em todo o mundo. 

Hoje em dia o argumento de “Pra que sair de casa se esse filme vai ter no Netflix ou no Telecine daqui a um ano” é combatido com o uso de artifícios como 3D e Imax, mas nas décadas de 60 e 70, essas estratégias não existiam ainda e com a maior adesão do publico aos aparelhos televisores, que nos anos 80 no Brasil chegaram a taxas gigantescas de adesão, o ato de ir ao cinema não era mais algo que atraia o público em geral no mundo, incluindo no Brasil.

Isso gerou vários movimentos mais artísticos no cinema mundial como o fantástico Nouvelle Vague (ou nova onda como traduzido em português) na França, na Itália tiveram dois movimentos, o Spaghetti Western de filmes de faroeste e o movimento de terror Giallo, nos EUA os filmes mais artísticos como “2001: Uma Odisseia no Espaço” compartilhavam as salas com os filmes do movimento Exploitation, ou cinema de “exploração”, que tinha como características muito sangue, mulheres peladas, violência e assuntos controversos para a época, possuindo até uma divisão para filmes de negros, algo que ainda era bem controverso nos EUA. 

A Boca do Lixo

Localizada no bairro Luz na cidade de São Paulo, esse bairro foi para a cidade como a Cinelândia foi para o Rio durante os anos 1920/1940, pois eram nesses lugares que se centralizavam a maioria das distribuidoras de cinema da época como a Fox e a Metro. 

Durante a época da Ditadura Militar, porém o bairro se transformou em um dos maiores polos de produção cinematográfica da história do Brasil, fazendo em sua maioria filmes baratos, filmados com um cronograma apertado para entregar nos cinemas e cumprir a demanda de produção e exibição que era altíssima. 

Nos anos 90, muito do que se ouvia falar sobre o cinema nacional era “Filme nacional só tem mulher pelada!”, pois bem foi da pornochanchada, gênero mais produzido na Boca do Lixo que esse “conceito” nasceu.

Mesmo possuindo muitos gêneros cinematográficos, a maioria desses filmes era do gênero de pornochanchada, que era uma forma de misturar erotismo com a comédia escrachada da chanchada, e o que valia mesmo nesses filmes era a “pseudo pornografia”, ou seja o roteiro poderia ser ruim, mas as mulheres tinham que ser lindas e perfeitas. Isso valia mesmo para os outros gêneros que eram incorporados a pornochanchada, mas sem perder o erotismo.

Filme “A Meia Noite Levarei Sua Alma”, primeiro filme do personagem coveiro Zé do Caixão. 

Muitos cineastas participaram desse movimento como o famoso José Mojica Marins (também conhecido como Zé do Caixão), considerado um dos mais injustiçados cineastas nacionais, que produzia filmes de terror e também de pornochanchada, apenas para citar um. 

Com o final da ditadura a Boca do Lixo acabou se dissolvendo, graças ao fato de que filmes pornográficos de verdade com penetração e nu frontal, não eram mais censurados e de fácil acesso para o público dentro de pouco tempo em cinemas pornô e posteriormente em vídeo locadoras. 

Cinema Novo

Explicar o Cinema Novo é simples e complicado ao mesmo tempo. No geral o Cinema Novo foi um movimento de filmes com teor politico contra a ditadura militar, que escondia suas verdadeiras formas em símbolos, para poder burlar as regras da censura da ditadura. 

Desse movimento saíram grandes cineastas como Glauber Rocha e Eduardo Coutinho, sendo o primeiro na ficção e o segundo nos documentários. Muitos filmes foram produzidos nessa época, mas ambos cineastas são os que mais se destacam. 

Se a pornochanchada era a celebração escrachada da vida (e da putaria), o cinema novo era uma forma de colocar a reflexão brasileira ativa para a nova geração, que não via mais a ditatura militar como a salvação do Brasil, mas sim como o seu maior problema.

 Após a Ditadura

Com o final da Ditadura Militar, o final da Embrafilme (órgão que ajudava e regulamentava o financiamento de filmes) e a dissolução da Boca do Lixo que hoje em dia é uma conhecida cracolândia da cidade de São Paulo, o cinema no Brasil deu uma pausa para o que viria pela frente acontecer, contando as Diretas Já, O Impeachment do Collor e todas as outras transformações que ainda viriam pela frente. 

E por enquanto é só, nos vemos na semana que vem com a parte 3, onde falaremos dos filmes dos anos 90 pra cá.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Quando você pensa em cinema brasileiro o que vem primeiro na sua cabeça?

Todo mundo já ouviu aquela frase “finais são um outro nome para inícios”, assim como tantas outras frases de livros de auto ajuda baratos que pretendem te fazer se sentir melhor depois de ter perdido algo ou alguém, mas a verdade é que toda despedida é dolorosa e, mesmo não sendo tão importante como uma das perdas que temos nas nossas vidas pessoais, na ficção dizer adeus para uma série que acompanhamos por 5, 10 anos também traz tristeza para os seus fãs que a acompanharam por tanto tempo.

Mudanças são difíceis, mas mais complicadas são quando algo que você gostava, terá que sair da sua vida, e no caso deste texto, que aquele seu personagem favorito, que você acompanhou por dezenas de horas, não estará mais na sua tv.

Yuri Vieitas vai tocar no âmago da questão na coluna de hoje. Confira:

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