Homens Literários

Quem não for uma periguete literária que atire a primeira pedra. Toda leitora já se apaixonou inúmeras vezes pelos mocinhos – nem sempre tão bonzinhos assim – dos livros que lê. Sejam eles quentes como Gideon Cross, perturbados como Christian Grey ou românticos como Ian Clarke, a enxurrada de mulheres suspirando pelos protagonistas é cada vez maior. Mas o que é que esses seres imaginários têm de tão especial? Por que eles causam tanta aversão aos homens? Bem, essa segunda pergunta é mais fácil de ser respondida e está entrelaçada à primeira.

Na nossa realidade, somos cercadas por homens passíveis a todo tipo de erro. A perfeição tão idealizada passa longe dos nossos colegas de trabalho, namorados, maridos ou o que quer que seja. Eles se enquadram em uma categoria comum e essa é a grande verdade. Não há atos de amor desesperados, sacrifícios sobre-humanos, presentes que tem o valor de uma casa e, em alguns casos, não há a doação exacerbada de amor, superproteção e possessividade. Esta, aliás, é a questão onde quero chegar. Nossos homens reais – e ainda bem que são reais! – se incomodam com a presença de personagens que podem alcançar em pequenas palavras os atos que eles passam anos sem sequer tentar. A surpresa e o espanto em descobrirem que um ser irreal pode dominar o imaginário feminino causa aversão, é natural. Mas até que ponto nós também nos permitimos ir além nesse mundo de fantasias?

O sucesso dos homens literários se deve muito mais por um pequeno ingrediente mágico que está em cada livro: nós mesmas. Sim, nós. Nosso inconsciente, nossa visão de mundo, nossos desejos, anseios, expectativas e até nossas utopias. Mesmo sendo descritos com uma riqueza de detalhes, cada mulher o enxerga de uma maneira única, defende um tipo de comportamento, o compreende com mais ou menos empatia. Abraçamos esses Christians, Gideons e Ians com fervor, implorando que nossos companheiros tenham características parecidas, rastreando qualquer semelhança e pedindo com muito jeitinho para que façam uma ou outra coisa do personagem. Mas para quê?

A fantasia é linda e a literatura é capaz de nos transportar para um mundo sem igual, no entanto, a realidade que vivenciamos – mesmo com todas as imperfeições – pode ser tão convidativa quanto. O que seria da sua vida sem aquela briguinha que acalenta o relacionamento, sem reclamar da toalha molhada em cima da cama, sem cada trejeito que te incomoda, mas que mesmo assim tornam seu amado único? Entender que esses personagens existem para nos fazer sonhar é uma coisa. Ansiar que os parceiros sejam uma cópia deles é outros quinhentos. Lembrem-se que aceitar os defeitos está incluso no contrato do amor e que os caras da realidade podem fazer uma coisa que os literários não podem fazer: corresponder.

Compartilhar

Sobre o autor

Juliana Costa
Deixe um comentário

Certifique-se de preencher os campos indicados com (*). Não é permitido código HTML.

Quem Somos

O Satisfashion Brazil conquistou em pouco tempo credibilidade e a confiança de seus leitores e parceiros, tornando-se referência em Moda e Cultura.

 

Últimos posts

Newsletter

Participe de nossas campanhas e informativos sobre tendência de moda e brindes