Sexta, 02 Outubro 2015 21:03

Homens Literários

Quem não for uma periguete literária que atire a primeira pedra. Toda leitora já se apaixonou inúmeras vezes pelos mocinhos – nem sempre tão bonzinhos assim – dos livros que lê. Sejam eles quentes como Gideon Cross, perturbados como Christian Grey ou românticos como Ian Clarke, a enxurrada de mulheres suspirando pelos protagonistas é cada vez maior. Mas o que é que esses seres imaginários têm de tão especial? Por que eles causam tanta aversão aos homens? Bem, essa segunda pergunta é mais fácil de ser respondida e está entrelaçada à primeira.

Na nossa realidade, somos cercadas por homens passíveis a todo tipo de erro. A perfeição tão idealizada passa longe dos nossos colegas de trabalho, namorados, maridos ou o que quer que seja. Eles se enquadram em uma categoria comum e essa é a grande verdade. Não há atos de amor desesperados, sacrifícios sobre-humanos, presentes que tem o valor de uma casa e, em alguns casos, não há a doação exacerbada de amor, superproteção e possessividade. Esta, aliás, é a questão onde quero chegar. Nossos homens reais – e ainda bem que são reais! – se incomodam com a presença de personagens que podem alcançar em pequenas palavras os atos que eles passam anos sem sequer tentar. A surpresa e o espanto em descobrirem que um ser irreal pode dominar o imaginário feminino causa aversão, é natural. Mas até que ponto nós também nos permitimos ir além nesse mundo de fantasias?

O sucesso dos homens literários se deve muito mais por um pequeno ingrediente mágico que está em cada livro: nós mesmas. Sim, nós. Nosso inconsciente, nossa visão de mundo, nossos desejos, anseios, expectativas e até nossas utopias. Mesmo sendo descritos com uma riqueza de detalhes, cada mulher o enxerga de uma maneira única, defende um tipo de comportamento, o compreende com mais ou menos empatia. Abraçamos esses Christians, Gideons e Ians com fervor, implorando que nossos companheiros tenham características parecidas, rastreando qualquer semelhança e pedindo com muito jeitinho para que façam uma ou outra coisa do personagem. Mas para quê?

A fantasia é linda e a literatura é capaz de nos transportar para um mundo sem igual, no entanto, a realidade que vivenciamos – mesmo com todas as imperfeições – pode ser tão convidativa quanto. O que seria da sua vida sem aquela briguinha que acalenta o relacionamento, sem reclamar da toalha molhada em cima da cama, sem cada trejeito que te incomoda, mas que mesmo assim tornam seu amado único? Entender que esses personagens existem para nos fazer sonhar é uma coisa. Ansiar que os parceiros sejam uma cópia deles é outros quinhentos. Lembrem-se que aceitar os defeitos está incluso no contrato do amor e que os caras da realidade podem fazer uma coisa que os literários não podem fazer: corresponder.

Cerimônia inaugural do evento contou com a presença do prefeito Eduardo Paes, que também abriu o Café Literário. O emocionante discurso de Mauricio de Sousa marcou a abertura da 17ª Bienal Internacional do Livro do Rio de Janeiro, no início da tarde desta quinta-feira, 3, no Riocentro. O criador da Turma da Mônica, que completa 80 anos em outubro, é o homenageado desta edição do evento. Mauricio, que lança 42 livros durante a Bienal por diversas editoras, recebeu o Prêmio José Olympio – concedido pelo Sindicato Nacional dos Editores de Livros (SNEL) – das mãos de Mônica, Cebolinha e dos bisnetos do influente editor que dá nome à honraria. A Bienal acontece no Riocentro até 13 de setembro e espera receber mais de 600 mil pessoas.  “É uma emoção inédita ser contemplado com um prêmio tão importante em companhia dos responsáveis por protagonizar as histórias que buscam divertir e entreter a garotada, além de ser um estímulo para a leitura. É um orgulho saber que a Turma da Mônica é a maior alfabetizadora do país”, disse, visivelmente comovido.  A Bienal também homenageia a Argentina, que foi representada na cerimônia por Luis María Kreckler, embaixador do país no Brasil, e Magdalena Faillace, diretora geral de assuntos culturais do ministério das relações exteriores e culto. Kreckler ressaltou a oportunidade de a Bienal proporcionar uma aproximação cultural ainda maior entre as duas nações, enquanto Faillace lembrou do papel fundamental do Brasil no fortalecimento da soberania argentina sobre as Malvinas.  Marcos da Veiga Pereira, presidente do Sindicato Nacional dos Editores de Livros, abriu oficialmente a edição da Bienal e fez um apelo pela manutenção dos programas governamentais de incentivo à leitura e alfabetização. Ele anunciou ainda o lançamento de uma petição pública relacionada à causa. Com o nome de Brasil, Nação Leitora, a iniciativa conjunta de várias entidades do livro tem como objetivo sensibilizar o Governo Federal no sentido de assumir o compromisso de manter a frequência anual de distribuição de livros de literatura em escolas públicas.  Eduardo Paes abre a programação cultural Em seguida, o prefeito Eduardo Paes participou da primeira sessão do Café Literário, o espaço de debates intimistas que faz parte da programação do evento desde 1999, onde falou sobre obras no Rio, transporte público e Jogos Olímpicos. Paes, entrevistado pela jornalista Helena Celestino, afirmou ainda que, além de sua importância para a cidade, a Bienal tem o objetivo de inspirar o hábito da leitura entre os brasileiros.  O público também pôde conhecer o Cubovoxes, com atrações voltadas a crianças e famílias. A área é uma grande estrutura que remete aos aros dos Jogos Olímpicos para abordar a diversidade e a multiculturalidade. As atividades constantes contam com teatro, cabines de trava-línguas e de leitura, área de exposições e um traumatrópio, no qual, por meio de animação, o usuário pode vestir fantasias as mais diversas.  Já o Cubovoxes, atividade voltada especialmente aos jovens leitores, que já foram o público mais presente neste primeiro dia de Bienal, recebeu sua primeira convidada, a sensação teen Carina Rissi, enquanto o Café Literário encerrou a programação cultural de quinta com a mesa “Rio 450: Histórias da cidade”, com Alberto Mussa, Edmilson Martins Rodrigues e Nireu Cavalcanti.  O primeiro dia de Bienal recebeu ainda o Agents & Business Center, parceria inédita com a Feira do Livro de Frankfurt que criou um espaço aberto a agentes literários e profissionais do livro de todo o mundo. A iniciativa, que aproxima ainda mais o grande evento literário do Brasil ao maior centro de negócios do mercado editorial no mundo, acontece até sábado. Na tarde de quinta aconteceu também o I Encontro Internacional de Profissionais do Livro (InterLivro 2015), programação gratuita com palestras e painéis com profissionais do mercado. * Texto e fotos enviados pela assessoria de imprensa da Bienal e publicado na íntegra pelo site Satisfashion Brazil.

Quem Somos

O Satisfashion Brazil conquistou em pouco tempo credibilidade e a confiança de seus leitores e parceiros, tornando-se referência em Moda e Cultura.

 

Últimos posts

Newsletter

Participe de nossas campanhas e informativos sobre tendência de moda e brindes