Uma Longa Jornada - Filme | Crítica

AVISO: O escritor que vos escreve não tem muito conhecimento sobre a obra do autor adaptado, o gênero cinematográfico aqui comentado e nem sobre rodeios e cultura country, redneck e sertaneja, portanto caso haja alguma afirmação errônea, sintam-se a vontade para educadamente corrigi-la nos comentários. 

Lembra de “Sharknado”? Aquele filme que bombou na internet e todo mundo falava que era o pior filme já feito? Esse filme tinha uma premissa muito simples: ser um filme que não se leva a sério sobre um evento climático altamente improvável (não digo impossível por que VAI QUE, né?).

Se levar a sério, é exatamente o maior problema de “Uma Longa Jornada”. O filme tenta ser épico, contando a história de dois casais de épocas e jornadas bem diferentes, mas que ainda assim são muito parecidas. Encabeçando o elenco do casal jovem está Britt Robertson (a enfermeira de Under The Dome) e Scott Eastwood, filho do diretor e ator Clint Eastwood, no elenco da subtrama do filme está Alan Alda, que recentemente tem participado da série The Blacklist, e que com certeza absoluta é o melhor ator do filme e Oona Chaplin (Game of Thrones).

O filme inicia com cenas de ação de rodeio, que com certeza são o ponto alto de todo o filme. Essas cenas incorporam a história do interesse romântico que promete derreter as mulheres com todo o seu jeito machão e antiquado, “Um galã montado em um touro branco”, pode se dizer. Essas cenas com certeza demonstram o melhor de tudo no filme (fotografia, edição, coreografia e etc), deixando aquela sensação de que o diretor queria fazer na verdade um “Rocky do Rodeio”, mas teve que fazer um romance sem sal no final.

Mas sem sal por que? Ao se levar a sério demais o filme demonstra sua verdadeira face e essa face demonstra inconsistências em personagens bem bidimensionais, ou seja, sem profundidade alguma, interpretados por atores com uma atuação bem inconsistente. Isso se soma ao fato de existirem muitas técnicas de emoção que chegam a ser risíveis, como em um momento do filme em que uma conversa chega a um impasse e começa a chover e depois a chuva se repete diversas vezes durante o filme como um artifício para aumentar a dramaticidade de uma cena, mas isso é repetido tantas vezes que chega a ser algo que leva o espectador a pensar “Ah, e agora é claro que vai chover!”.

Isso se intensifica ainda mais nas chamadas montages (um recurso utilizado em roteiro onde se seguem várias cenas que mostram a progressão de alguma coisa) de romance do casal se apaixonando, que ao mesmo tempo que são intrínsecas ao gênero, parecem mais um clipe do George Michael se repetindo em looping apenas trocando os cenários, e isso acontece diversas vezes durante o filme com poucas cenas de intervalo, o que faz o filme ficar com uma sensação de repetitivo e arrastado. 

Somado a isso temos uma gama inacreditável de coincidências consecutivas que acontecem no final do filme, que deixam no ar uma sensação de que o roteirista está usando um “cheat code” pra poder terminar o filme o mais rápido possível e de uma forma em que haja um final feliz. Isso deixa o final sem sal, sem sentido e faz o filme deixar um gosto meio amargo na boca do espectador.

Tudo isso transforma um filme com grande potencial em um filme pra baixo de mediano, mesmo que ainda prometa agradar o público que curte toda a cena de sertanejo universitário e as românticas inconsoláveis, o filme deixa muito a desejar para os cinéfilos que procuram um bom drama romântico para assistir.

O filme chegará aos cinemas de todo país no dia 30 de abril.

 

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Sobre o autor

Yuri Vieitas

Yuri Vieitas, carioca, graduado em Cinema pela Universidade Estácio de Sá. Seu primeiro curta-metragem, chamado Solivagus, foi selecionado para representar o Brasil no Short Film Corner no Festival de Cannes de 2011. Além de ter desenvolvido trabalhos para empresas como Coca-Cola. Yuri é Editor de Games (Yuri_Vieitas na PSN, Live e Nintendo Id) e crítico de cinema no Satisfashion Brazil. 

 

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