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Cultura

ALERTA: Tentarei ao máximo não dar muitos Spoilers do primeiro filme, mas é bem difícil, pois é uma continuação direta.

Quando ouvi a fantástica música de Thomas Newman enquanto assistimos Sonny saindo de quadro com sua lambreta no primeiro filme seguidos do já tradicional fade out, a última coisa que veio a minha cabeça seria que um filme tão contido dentro de si mesmo poderia gerar uma sequência, pois afinal o que haveria de novo para ver? Todos os conflitos se resolvem e o final encerra a história satisfatoriamente, então uma continuação seria apenas uma questão de ganância e de extrair mais dinheiro de uma idéia que deu certo? Bem, tenho que dizer que sim e que não.

Primeiramente vamos nos situar para quem pegou o bonde andando. “Previously on AMC’s Marigold Hotel”, diria o narrador nesse momento em que recapitulo as peripécias de Sonny ao tentar administrar um hotel que é tão ruim, mas tão ruim que só esse hotel poderia servir umas duas temporadas do “Hotel Hell” e, isso com certeza foi uma das coisas que mais veio a minha mente logo no inicio do filme: Gordon Hamsey dando uma lição no menino que queria ser um milionário. Mas essa é só uma parte da trama do filme, pois um dos elementos de sucesso do roteiro é que ele é o que chamamos de ensemble movie (ou seja, um tipo de filme que tem muitos personagens e, por consequência, muitas tramas que se interligam como por exemplo, “Simplesmente Amor”), mas ele não é somente isso, somado a isso está uma pequena pitada de “Se Beber Não Case Geriátrico” e um estilo dramédia á lá Wes Anderson, bem passado. Não estou dizendo que o diretor deixa a desejar de maneira alguma, mas não deixa sua marca, tendendo um pouco a um filme que mesmo sendo bom, fica faltando aquela marca de algo especial do diretor.

No primeiro filme, a primeira coisa que impressiona é o elenco. Começando por Evelyn (Judi Dench, a famosa “M” dos filmes do James Bond desde “007 contra Goldeneye”), Garham (Tom Wilkinson, dos recentes “Conduta de Risco” e “Batman Begins”), Douglas (Bill Nighy, de “Simplesmente Amor” e “Os Piratas do Rock”) e Jean Ainslie (Penelope Wilton, a Primeira Ministra Harriet Jones de Doctor Who), Norman (Ronald Pickup, de “O Missionário”), Muriel (Maggie Smith, a Professora Minerva McGonagall da franquia Harry Potter) e Madge (Celia Imrie, de “Highlander” e “O Diário de Bridget Jones”). Todos estes personagens possuem uma coisa em comum: sua vida financeira ou pessoal está caindo aos pedaços, é ai então que eles decidem fazer uma viagem para a Índia e lá chegam ao hotel desastroso de Sonny (muito bem montado pela direção de arte, mas que ainda assim fica com aquela sensação de ser um Sound Stage), que os coloca juntos para viver e entender melhor a si mesmos e a situação em que se encontram.

Durante o decorrer da trama o Hotel fica em perigo e Muriel ajuda a salva-lo e é exatamente dai que a história do segundo filme se inicia. Lembra que tinha falado da ganância? Bem, ela é o que move todo o filme, pois Sonny e Muriel querem fazer do sucesso do Marigold uma franquia de hotel voltado para os idosos, enquanto em paralelo acontecem os planos de casamento de Sonny com sua namorada do primeiro filme.

Esse filme é muito mais focado no hotel e em Sonny do que no elenco idoso do primeiro filme, mas não que isso tenha sido deixado de lado, muito pelo contrário, mas o foco no sucesso de Sonny é muito maior dessa vez e os riscos e apostas financeiras e amorosas dele tem muito mais importância, pois ele tem muito mais a perder: a diferença entra perder uma namorada, ou uma futura esposa e entre perder um hotel furreca e destruído e perder a chance de uma franquia de negócios com altíssimos investimentos e retornos.

As outras tramas seguem praticamente de onde pararam no filme anterior. Não vou me estender muito nelas para não dar Spoilers, mas elas funcionam bem, assim como as novas adições ao elenco. Richard Gere, continua como na maioria de seus filmes interpretando bem na linha entre o bom e o ruim com o enigmático Guy Chambers, porém a melhor adição sem sombra de dúvida é Tamsin Greig (da fantástica série “Episodes”), que mesmo aparecendo bem pouco, faz cada segundo seu de tela ser marcante.

O roteiro é um caso a parte. Lembra do Coiote e do Papa-Léguas (Bip-Bip!)? Durante todo o desenho o Coiote colocava várias armadilhas pro Papa-Léguas, que sempre escapava ileso. Assistindo esse filme, não pude evitar em pensar que o roteirista parecia o Coiote, só que esquizofrênico. E digo isso, no bom sentido. Toda hora ele coloca armadilhas que fazem parecer que previsíveis viradas irão acontecer, então de fato acontecem, mas ai ele mostra que era o que estava em uma camada inferior aquela que realmente importava, fazendo um ótimo trabalho de causar expectativas de uma forma e nos surpreender de outra forma completamente diferente.

Fora isso, o filme tem os mesmos pontos fortes (direção de arte, atores fantásticos e ótima fotografia) e pontos fracos (em certos momentos parece se arrastar e diversos segmentos do roteiro são muito menos interessantes que outros) do anterior, mas isso não estraga de forma alguma um filme com qualidades suficientes para extrapolar os seus problemas.

Esse filme foi a melhor surpresa do ano até agora e realmente encanta, emociona e surpreende.

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AVISO: O escritor que vos escreve não tem muito conhecimento sobre a obra do autor adaptado, o gênero cinematográfico aqui comentado e nem sobre rodeios e cultura country, redneck e sertaneja, portanto caso haja alguma afirmação errônea, sintam-se a vontade para educadamente corrigi-la nos comentários. 

O Satisfashion traz a critica do filme Crimes Ocultos, que terá sua estreia aqui no Brasil dia 21 de maio.

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